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“Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora”.
Retirado do vídeo “Sunscreen” da produtora publicitária DM9 o trecho acima é um dos pequenos conselhos dados pelo protagonista portador de câncer, em que retrata algumas verdades indispensáveis que nos deparamos em nossa vida, e em função delas acabamos deixado uma das coisas mais importantes em nossa existência de lado. Deixamos de viver!
Os conselhos dados por ele são impertinentes e dignos de serem muitas vezes
até seguindo, para que possamos dar mais dinamismo em nossa vida deixando de lado alguns objetivos impostos pelo meio, que fazem de nos pessoas totalmente manipuladas. Segundo ele próprio “Conselho é uma forma de nostalgia. dar conselho e uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpa–lo, esconder as partes feias e recicla – lo por um preço maior do que realmente vale”.
Quando citei “todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora“, tentem lembrar em suas memórias quantos de nós em um pequeno momento de loucura abandonou sua mais san consciência e de repente se embrenhou em um ato dos mais insanos possíveis, mas que ao final teve momentos de prazer e satisfação ao realizar algo tão fora de seu contexto.
Os pequenos detalhes levantados por ele no vídeo se tornam irrelevantes, pois muitas vezes não damos valor, mas fazem parte de nossas vidas e creio que causam grande repercussão. Geralmente são coisa aleatórias que há gerações se promovem do mesmo modo assim passando desapercebido, e nos levando a abandonar os verdadeiros momentos importantes de nossa vida por uma parnafenalha de regras estressantes impostas por nosso capitalismo.
Infelizmente não sabemos o que acontece depois da morte, então os conselhos dados por ele têm um enorme incentivo alertando a investirmos na importância de nosso pequeno trajeto neste mundo ou como ele mesmo diz “Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza, de sua juventude quando já tiver desaparecido. Mas, acredite em mim . Dentro de vinte anos, você Olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você eram realmente fabulosas”.
Talvez esteja sendo um pouco liberal, mas temos que dar liberdade aos nossos sentimentos e a acontecimentos que não seja legal para nossas vidas, pois senão viveremos em torno de um cotidiano repleto de síndromes. Então além desta propaganda ter sido referência de grande importância em minha vida, diria com toda certeza que realizar alguns dos conselhos dela podem torna mais compreensível nossa existência nesta loucura contemporânea.
Enfim, extrapolem e ouçam os conselhos dados pelo protagonista canceroso, pois segundo ele “não se orgulhe nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como asescolhas de todos os demais”.
Escrito por Reneé às 13h44
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O novo modo visual de expressar a arte
“Se o Sr. Mutt fez ou não com suas próprias mãos a fonte, isso não tem importância. Ele escolheu–a. Ele pegou um objeto comum do dia a dia, situou-o de modo que seu significado utilitário desaparecesse sob um título e um ponto de vista novo – criou um novo pensamento para o objeto”.
Wood Beatrice
Neste último dia 11 de novembro a galeria Virgílio deu início à exposição VESTÍGIOS do artista plástico Marcone Moreira, em que dispôs no primeiro andar da galeria usando as paredes e o piso 11 obras realizadas através de restos de carrocerias de caminhão, moveis, portas, caixotes, embarcações.
As obras realizadas por ele têm influências de um olhar expressivo do lugar onde reside (Marabá - Para), em que usa do alto nível do tráfego de pessoas e cargas (a região possui a ferrovia Carajás, a rodovia Transamazônica e o cruzamento de dois rios) para recolher a matéria prima que usa em suas obras, sendo assim se apropria de pequenos pedaços de materiais abandonados que perderam sua utilidade, mas que ricos em vestígios quando justapostos através da composição do artista ganham unidade plástica e uma resignificação passando a se tornar um objeto a ser apreciado e entendido dentro de um novo contexto.
Os vestígios encontrados nas obras estão repletos de uma variedade de cores e desgastes que mostram uma reflexão em que o artista contemporâneo, como Marcone, está preocupado em extrapola hoje e nos faz lembrar dos ready made de Marcel Duchamp, em que este os denominava como objetos tirados de um contexto tradicional entrado para arte como uma forma de representação e pensamentos, assim sendo o conceito explorado por Marcone em suas obras trazem um vestígio da manipulação da vida desenvolvida por uma certa população em sua região, em que o artista ao invés de seguir uma tradição de representar através de telas e pinceis mostra seu ponto de vista com as pequenas fagulhas dos objetos que fazem parte deste cotidiano repletos de significados potenciais para o campo expressivo do artista e totalmente impotênciais para o meio onde se encontram.
As obras contemporâneas não estão hoje mais presas a pequenos espaços pictóricos representados de maneira bidimensional, elas estão preocupadas em representar os nossos dias e suas diversas conversas através da própria matéria, pois para que vou usar um desenho para representar o objeto se posso usar o objeto e refletir sobre ele, esta é a grande cor da arte hoje temos que refletir o que estamos olhando para entender as expectativas dos artistas e de suas críticas e não vangloriar quadrados bidimensionais pintados em que temos soluções prontas que nos fazem persistir em um repertório já esgotado, portanto o grande objetivo da arte atualmente são os pequenos detalhes que levam o espectador a se interar da obra e do processo criador do artista e que leva a obra de arte a ter um novo valor na sua qualidade visual.
Finalizando Marcone Moreira através de seus vestígios representou seu cotidiano a partir de sua sensibilidade criativa e visual, sendo assim como citei logo de início no pensamento de Wood Beatrice em que se refere à obra “A fonte” de Marcel Duchamp, o artista sem si quer pintá-los com suas próprias mãos criou com seus fragmentos um trabalho plástico repleto de uma energia trazida daquele local em que uma pintura bidimensional até representaria, mas jamais com tanta intensidade como o da interferência causada pelo tempo neste objeto.
Vestígios
Galeria Virgílio - R.Dr Virgilio de Carvalho Pinto, 426 - Fone: (11) 30629446 artevirgilio@uol.com.br – www.galeriavirgilio.com.br
11 de novembro a 3 dezembro de 2005
Seg. a Sex., 10h às 19h; sáb., 10h às 16h. Entrada franca
Escrito por Reneé às 16h21
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A arte e conceito do erotismo humano
Um cenário de total erotismo e uma grandiosa síntese de tudo que à arte já produziu em torno dos prazeres que fazem parte da vida do ser humano desde seus primórdios, foi assim que me exaltei ao comparecer neste feriado do dia 12 de outubro na abertura “erotica - os sentidos na arte” que está sendo realizada no Centro Cultural Banco Do Brasil.
Com uma montagem bem organizada e uma curadoria preocupada em trazer para o público os vários momentos de expressão do artista de diversos períodos da história da arte, o curador Tadeu Chiarelli trouxe para CCBB uma exposição que deu vida a este centro cultural que em muitas exposições anteriores não teve uma característica tão forte como esta agora.
A exposição é composta por 110 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas, fotos, gravuras, vídeo, instalação e objetos arqueológicos. Mas aqui gostaria de destacar à obra de um artista que me chamou bastante atenção por sua ousadia e intelectualidade na elaboração da obra.
Através de uma tela de plasma no terceiro andar é exibido um vídeo de Thomas Glassford, onde produz uma cena de um beijo em que num primeiro momento parece ser um casal homossexual masculino, mas quando paramos para observar mais atentamente notaremos que é uma mera ilusão de ótica criada pelo artista, pois só existe um homem beijando o próprio espelho. Apesar de causar uma certa idéia de uma relação homossexual na obra, o conceito em que o artista quer chegar e na questão do narcisismo enquanto relação de erotismo, mostrando um lado frio em que a pessoa narcisista se submete para realizar os desejos pelo seu eu.
Enfim este é um dos assuntos que arte erótica que se instalou no CCBB veio trazer para questionar nosso olhar. Aproveite visite e descubram outros!!!
erotica – os sentidos na arte
Centro Cultural Banco Do Brasil – Rua Álvares Penteado, 112.
Tel. (11)31133651/ 31133652.
www.bb.com.br/cultura
13 de outubro a 08 de janeiro
Terça a domingo, das 10h às 21h. Entrada gratuita
Escrito por Reneé às 15h49
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O mundo carbonizado
“Assim, atraído, resolvi experimentar essa técnica queimando várias flores e plantas. E ao abrir a fornalha eu sentia que encontrara algo que estava oculto, escondido”.
Nobuo Mitsunashi
“Hanazumi” este era o nome da exposição que se encerrou neste último dia nove no Instituto Tomie Othake, em que o visitante que ali comparecia se deparava com uma sala onde todas as paredes estavam cobertas por rosa carbonizadas. Isso Mesmo! Rosas carbonizadas pelo o artista japonês Nobuo Mitsunashi.
Segundo o artista o processo de carbonização de flores já é usado no Japão há 500 anos na cerimônia do chá, sendo assim resolveu usar desta técnica para construir sua quarta exposição individual no Brasil, pois se interessou tanto pelo processo como pela poética. Mitsunashi além das rosas usou também frutas e legumes para expressar seu conceito, demonstrando assim uma obra com uma técnica clássica, mas que trazia no interior de seu seio uma conversa contemporânea da qual representa de certa maneira fatos de nossos dias atuais.
Fragilidade e efemeridade são palavras muito importantes para talvez entender a obra deste artista, pois parece que o repertório de sua obra quer nos alertar muito mais que uma simples técnica procurando assim profundamente um conceito escondido nas entranhas da obra, pelo que pude analisar o simbolismo da obra enfoca uma total destruição do homem contemporâneo frente aos seus semelhantes e como a vida hoje em dia passa por um processo de pouca durabilidade com as variadas guerras fato que está dizimando parte de nossa população mundial, mas ao mesmo tempo a um aspecto religioso em que segundo os japoneses o processo de carbonização é um tipo de purificação e não a morte, assim sendo apesar de ter ocorrido à combustão ficam os restos e ainda vou muito mais além, o corpo morre, mas fica a presença e os atos que por mais que esqueçamos sempre vão estar presentes através de nossas lembranças ao revermos o ambiente que um dia ocuparam.
Pois é, interessante como um simples ato pode acarretar vários pontos de vista. Enfim este é o meu, tente expressar o seu! Pois ainda dá tempo às obras dele ainda se encontram na Galeria Deco, de uma passada por lá e confira.
Hanazumi
Galeria Deco – Rua Dos franceses, 153 - Fone: (11) 32897067
Segunda a sábado das 10h às 18h - entrada franca
Escrito por Reneé às 23h38
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Esculturas Sonoras
“Sejamos Honestos, para poder pintar o espaço, é necessário que me integre dentro desse mesmo espaço".
Yves Klein
Entre um emaranhado de fios e aparelhos elétricos juntos, numa mistura infernal que lembram as infindáveis colagens dadaístas, o grupo Chelpa Ferro demonstra no conteúdo de suas obras um repertório alucinante de sons, em que ao entramos em contato remete a nossa memória à congestionada e frenética realidade cotidiana.
A favelada maneira de dispor os aparelhos e a total irregularidade dos sons, nos leva a realidade de uma cidade grande que teve um crescimento desenfreado e totalmente mal planejado, onde nos deparamos todos os dias com um cruzamento de sons que, ao passar por nossos ouvidos leva mensagens aos nossos cérebros que logo idealizam objetos que se encontram guardados nas referências de nossas memórias visuais.
O som escultural criado por eles nos impulsiona a participar da idealização da obra através de nossa percepção auditiva, pois hoje o espectador é um grande trunfo para que a essência da obra seja propagada, e a instalação da qual o grupo usa muito, já trás na sua definição esta relação do espectador com a obra e a mente do artista. Sendo assim, no caso deles eu definiria que dentro da grande escultura (instalação) encontra – se uma escultura ainda a ser criada, onde o papel desta conclusão dependerá de cada espectador. Concluindo, é uma instalação que existe enquanto espaço e ao mesmo tempo existe como memória criativa.
Enfim, volto agora no início do texto onde cito o célebre pensamento de Yves Klein, e faço uma ressalva entre a indagação feita pelo artista naquela época e o trabalho do grupo Chelpa Ferro. Hoje como naquela época a idéia de interação com a obra já era um papel importante para a arte, só que atualmente este papel se potencializa trazendo para obra muito mais que a integração do artista no espaço da obra, a preocupação do artista contemporâneo é também fazer com que o espectador ajude na construção do processo e conclusão, pois uma obra em tempo real não precisa ser representada, e sim neste momento, ser vivida.
Chelpa Ferro
Galeria Vermelho - Rua Minas Gerais, 350 - Fone: (11) 32572033 info@galeriavermelho.com.br – www.galeriavermelho.com.br
24 setembro a 15 outubro de 2005
Terça à sexta das 10h às 19h; sábado das 11h às 17h. entrada franca
Escrito por Reneé às 22h22
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A sensibilidade plástica de uma mente investigativa
“A arte é coisa mental” - Leonardo D’Vinci
Olha ai gente às obras que trazem um repertório maior que a própria ação, ao visitar a exposição de Vanderlei Lopes e Marcos Giannottti me deparei com uma conversa contemporânea que estamos precisando firmar em nossa consciência do mercado artístico, assim iniciei o meu texto com uma celebre frase do grande mestre Leonardo, pois reflete muito o caminho que os dois artistas expoentes trabalham na seiva de suas obras.
A coisa mental que Leonardo chama atenção e a parte de grande importância para a criação da obra, pois esta reflete o olhar sensível e avassalador que o artista tem de seu meio contemporâneo, olhar este que são resultados das coisas mentais que o artista trabalha para dar identidade e o estranhamento, para que sua obra cause no espectador um momento de pura reflexão e questionamento.
Os dois artistas vão muito além de um simples acontecimento cotidiano, a ser expresso na construção de suas obras e trabalham em seus repertórios assuntos de um ponto de vista global que demonstram uma profundidade fundamentada, que de certa forma se torna trabalhosa de ser visualizada, mas por outro lado é rica em informações que estão passando por nós diariamente e que mal damos atenção.
Em “Ephemeras”, Vanderlei ressalta a existência de um determinado objeto através de sua construção (árvore de pólvora) e logo após ocorre uma ação (Fogo e fumaça) que em questão de segundos causa sua inexistência, já na obra Oleodutos, Marcos traz para nós imagens subterrâneas da cidade onde se escondem redes que podem se tornar verdadeiras bombas relógio e causar uma total catástrofe a partir de uma simples desconexão do seu sistema.
Os conteúdos explorados pelos dois artistas contêm em certo ponto uma conversa homogênea, onde podemos notar uma preocupação com a existência global de determinadas redes totalmente padronizadas e dependentes, que por uma simples ação de segundos podem simplesmente deixar de existir causando uma total catástrofe tornando nossas vidas uma incerteza geral. O assunto ressaltado por eles por um lado não esta tão distante de nossa vida cotidiana, pois basta lembrarmos de alguns incidentes acontecidos no mundo onde notaremos vidas mudadas pela quebra de alguns paradigmas, um exemplo que podemos citar desta quebra e a queda das duas torres gêmeas (Word Trade Center) nos EUA onde notamos a quebra da rede de segurança aérea americana causando o desaparecimento de dois símbolos da arquitetura capitalista norte americana e marcando aqueles cidadãos para o resto de suas vidas, onde ainda hoje lembram com tristeza o infindável dia 11 de setembro de 2001.
Enfim, observamos então como a mente de um artista trabalha junto com seu tempo, e este através de suas habilidades plásticas idealiza trabalhos que trazem para nossa realidade não só os assuntos dela, mas um ponto de vista sensível, intelectual e criativo que traz referências de nosso cotidiano de formas chocantes e investigativas que registrar os acontecimentos contemporâneos para as futuras gerações.
Vanderlei Lopes e Marco Giannotti
Galeria Virgílio - Rua Dr Virgilio de Carvalho Pinto, 426 - Fone: (11) 30629446 artevirgilio@uol.com.br – www.galeriavirgilio.com.br
16 setembro a 8 outubro de 2005
Seg. a Sex., 10h às 19h; sáb., 10h às 16h. Entrada franca
Escrito por Reneé às 11h48
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Penetrando nos orifícios de sua origem
"De tanto penetrar no coração da matéria acabei descobrindo o céu do outro lado"- Henry Moore (1898-1986).
Logo na entrada da Pinacoteca nos deparamos com a obra "Oval com Pontas", onde visualizamos o pensamento explícito e simplificado do artista quanto ao orifício esculpido em sua obra.
No último dia 12 de Abril, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, inaugurou a megaexposição " Henry Moore – Uma Retrospectiva – Brasil 2005" . Esta trouxe para o primeiro andar 239 obras do escultor, que é considerado um dos mais importantes artistas do século XX. A mostra traz o trabalho do artista inglês 40 anos depois de sua última exposição em nosso país, que se realizou em 1965 no MAM- Rio de Janeiro, onde na ocasião ganhou uma retrospectiva que se pode julgar pouco explorada em comparação a esta. A retrospectiva atual traz toda trajetória de sua evolução, demonstrando as diversas influências que ocasionaram os seus pensamentos ilustres e a plasticidade de suas obras.
Ao citar "Prefiro ver as minhas esculturas em qualquer paisagem a vê–las dentro dos mais belos edifícios do mundo", o artista parece ressaltar influências de sua origem, lembrando o sofrimento vivido pelo pai nas subterrâneas e esburacadas minas de carvão. Um outro fato explícito em sua obra que podemos citar é a série de desenhos "Abrigo", nesta o artista retrata uma experiência vivida ao desenhar pessoas refugiadas no túnel do metrô para fugir dos bombardeios da 2º Guerra Mundial.
As duas citações anteriores elucidam alguns dos fundamentos levantados pelo artista, justificando os anseios pelas suas obras por estarem ao ar livre , e também leva a entendermos o fato da existência dos orifícios no interior de suas esculturas. Me parece que a frustração do artista com a vida difícil do pai e os momentos vividos da guerra, levam este a esculpir com um desejo voltado a saciar o desespero por fatos de sua vida, como por exemplo o desespero ao ver o pai, no exercício de sua profissão, ver o céu tão distante.
Além das obras ressaltarem a sua origem e suas experiências , elas também acrescentam no percurso de Moore diversas referências artísticas e dos movimentos de arte. Precocemente, aos 11 anos de idade, teve seu primeiro contato com a pintura do grande artista renascentista Michelangelo, e no decorrer de sua vida artística sofreu influências de Brancusi, Picasso, Jean Arp, Epstein e Giacometti e de alguns movimentos como Surrealismo e Arte Primitiva ( peças Pré Colombianas).
Hoje, o legado de Moore é um dos grandes marcos da arte do século XX, tornando-se referência para vários de seus conterrâneos, artistas como Antony Caro ( que foi seu assistente), Tony Cragg, Antony Gormley, Richard Deacon que estiveram recentemente no Brasil na exposição, " Art Revolution – A Bigger Splash: Arte Britânica da Tate 1960 - 2003", são alguns dos nomes mais atuais influenciados por este.
Ao caminharmos pelas salas climatizadas e corredores da Pinacoteca, percorreremos 60 anos da vida artística de Henry Moore, de uma forma cronológica muito bem organizada. Encontraremos obras do começo de sua carreira como "Cão" - 1922 , com grandes características da Arte Pré colombiana, da qual era amante. Como também sua fase de transição do figurativismo para o abstracionismo na obra "Composição"- 1931, figuras que se dividem em duas, três ou quatro peças formando uma só escultura, como por exemplo a que se encontra no octógono do prédio que leva o nome de "Figura Reclinada em Quatro Peças" – 1972/3 e também obras recentes de 1985, um ano antes de sua morte. No final da visita, uma sala especial dá ao visitante as referências bibliográficas da vida e obra por meio de fotos, catálogos e vídeo.
Enfim, adentrem no coração da matéria e dialoguem com as obras e os pensamentos deste mestre das artes do século XX.
Escrito por Reneé às 20h07
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