eat art - Marcio


A sensibilidade plástica de uma mente investigativa

 

“A arte é coisa mental” - Leonardo D’Vinci

 

Olha ai gente às obras que trazem um repertório maior que a própria ação, ao visitar a exposição de Vanderlei Lopes e Marcos Giannottti me deparei com uma conversa contemporânea que estamos precisando firmar em nossa consciência do mercado artístico, assim iniciei o meu texto com uma celebre frase do grande mestre Leonardo, pois reflete muito o caminho que os dois artistas expoentes trabalham na seiva de suas obras.

A coisa mental que Leonardo chama atenção e a parte de grande importância para a criação da obra, pois esta reflete o olhar sensível e avassalador que o artista tem de seu meio contemporâneo, olhar este que são resultados das coisas mentais que o artista trabalha para dar identidade e o estranhamento, para que sua obra cause no espectador um momento de pura reflexão e questionamento.

Os dois artistas vão muito além de um simples acontecimento cotidiano, a ser expresso na construção de suas obras e trabalham em seus repertórios assuntos de um ponto de vista global que demonstram uma profundidade fundamentada, que de certa forma se torna trabalhosa de ser visualizada, mas por outro lado é rica em informações que estão passando por nós diariamente e que mal damos atenção.

Em “Ephemeras”, Vanderlei ressalta a existência de um determinado objeto através de sua construção (árvore de pólvora) e logo após ocorre uma ação (Fogo e fumaça) que em questão de segundos causa sua inexistência, já na obra Oleodutos, Marcos traz para nós imagens subterrâneas da cidade onde se escondem redes que podem se tornar verdadeiras bombas relógio e causar uma total catástrofe a partir de uma simples desconexão do seu sistema.

Os conteúdos explorados pelos dois artistas contêm em certo ponto uma conversa homogênea, onde podemos notar uma preocupação com a existência global de determinadas redes totalmente padronizadas e dependentes, que por uma simples ação de segundos podem simplesmente deixar de existir causando uma total catástrofe tornando nossas vidas uma incerteza geral. O assunto ressaltado por eles por um lado não esta tão distante de nossa vida cotidiana, pois basta lembrarmos de alguns incidentes acontecidos no mundo onde notaremos vidas mudadas pela quebra de alguns paradigmas, um exemplo que podemos citar desta quebra e a queda das duas torres gêmeas (Word Trade Center) nos EUA onde notamos a quebra da rede de segurança aérea americana causando o desaparecimento de dois símbolos da arquitetura capitalista norte americana e marcando aqueles cidadãos para o resto de suas vidas, onde ainda hoje lembram com tristeza o infindável dia 11 de setembro de 2001.

Enfim, observamos então como a mente de um artista trabalha junto com seu tempo, e este através de suas habilidades plásticas idealiza trabalhos que trazem para nossa realidade não só os assuntos dela, mas um ponto de vista sensível, intelectual e criativo que traz referências de nosso cotidiano de formas chocantes e investigativas que registrar os acontecimentos contemporâneos para as futuras gerações.

 

Vanderlei Lopes e Marco Giannotti

Galeria Virgílio - Rua Dr Virgilio de Carvalho Pinto, 426 - Fone: (11) 30629446
artevirgilio@uol.com.br – www.galeriavirgilio.com.br

16 setembro a 8 outubro de 2005

Seg. a Sex., 10h às 19h; sáb., 10h às 16h. Entrada franca



Escrito por Reneé às 11h48
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Penetrando nos orifícios de sua origem

"De tanto penetrar no coração da matéria acabei descobrindo o céu do outro lado"- Henry Moore (1898-1986).

Logo na entrada da Pinacoteca nos deparamos com a obra "Oval com Pontas", onde visualizamos o pensamento explícito e simplificado do artista quanto ao orifício esculpido em sua obra.

No último dia 12 de Abril, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, inaugurou a megaexposição " Henry Moore – Uma Retrospectiva – Brasil 2005" . Esta trouxe para o primeiro andar 239 obras do escultor, que é considerado um dos mais importantes artistas do século XX. A mostra traz o trabalho do artista inglês 40 anos depois de sua última exposição em nosso país, que se realizou em 1965 no MAM- Rio de Janeiro, onde na ocasião ganhou uma retrospectiva que se pode julgar pouco explorada em comparação a esta. A retrospectiva atual traz toda trajetória de sua evolução, demonstrando as diversas influências que ocasionaram os seus pensamentos ilustres e a plasticidade de suas obras.

Ao citar "Prefiro ver as minhas esculturas em qualquer paisagem a vê–las dentro dos mais belos edifícios do mundo", o artista parece ressaltar influências de sua origem, lembrando o sofrimento vivido pelo pai nas subterrâneas e esburacadas minas de carvão. Um outro fato explícito em sua obra que podemos citar é a série de desenhos "Abrigo", nesta o artista retrata uma experiência vivida ao desenhar pessoas refugiadas no túnel do metrô para fugir dos bombardeios da 2º Guerra Mundial.

As duas citações anteriores elucidam alguns dos fundamentos levantados pelo artista, justificando os anseios pelas suas obras por estarem ao ar livre , e também leva a entendermos o fato da existência dos orifícios no interior de suas esculturas. Me parece que a frustração do artista com a vida difícil do pai e os momentos vividos da guerra, levam este a esculpir com um desejo voltado a saciar o desespero por fatos de sua vida, como por exemplo o desespero ao ver o pai, no exercício de sua profissão, ver o céu tão distante.

Além das obras ressaltarem a sua origem e suas experiências , elas também acrescentam no percurso de Moore diversas referências artísticas e dos movimentos de arte. Precocemente, aos 11 anos de idade, teve seu primeiro contato com a pintura do grande artista renascentista Michelangelo, e no decorrer de sua vida artística sofreu influências de Brancusi, Picasso, Jean Arp, Epstein e Giacometti e de alguns movimentos como Surrealismo e Arte Primitiva ( peças Pré Colombianas).

Hoje, o legado de Moore é um dos grandes marcos da arte do século XX, tornando-se referência para vários de seus conterrâneos, artistas como Antony Caro ( que foi seu assistente), Tony Cragg, Antony Gormley, Richard Deacon que estiveram recentemente no Brasil na exposição, " Art Revolution – A Bigger Splash: Arte Britânica da Tate 1960 - 2003", são alguns dos nomes mais atuais influenciados por este.

Ao caminharmos pelas salas climatizadas e corredores da Pinacoteca, percorreremos 60 anos da vida artística de Henry Moore, de uma forma cronológica muito bem organizada. Encontraremos obras do começo de sua carreira como "Cão" - 1922 , com grandes características da Arte Pré colombiana, da qual era amante. Como também sua fase de transição do figurativismo para o abstracionismo na obra "Composição"- 1931, figuras que se dividem em duas, três ou quatro peças formando uma só escultura, como por exemplo a que se encontra no octógono do prédio que leva o nome de "Figura Reclinada em Quatro Peças" – 1972/3 e também obras recentes de 1985, um ano antes de sua morte. No final da visita, uma sala especial dá ao visitante as referências bibliográficas da vida e obra por meio de fotos, catálogos e vídeo.

Enfim, adentrem no coração da matéria e dialoguem com as obras e os pensamentos deste mestre das artes do século XX.



Escrito por Reneé às 20h07
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